Boa compressão

8 de abril de 2013
por Choque Atual
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Você segue as novas Diretrizes?

Já se passaram pouco mais de dois anos desde a publicação das novas Diretrizes da AHA (American Heart Association) para vítimas de PCR (Parada Cardiorrespiratória), em 2010. Assim, deduz-se que qualquer profissional da área da saúde já deveria ter todas as alterações na cabeça para colocá-las em prática sempre que necessário.

No entanto, o que se vê na prática muitas vezes é a desinformação dos profissionais e a falta de treinamentos de reciclagem para deixá-los prontos para agirem no caso de uma emergência.

Não são poucos os socorristas cujo último treinamento de RCP pelo qual passaram foi antes de 2010. Alguns deles chegam até a utilizar métodos recomendados pelas Diretrizes de 2000.

Isso acontece em menor escala com profissionais de emergência, que costumam passar por treinamentos com maior frequência, mas não chega a ser tão incomum com seguranças e brigadistas, por exemplo.

Além dos próprios socorristas, é de extrema importância que as ferramentas usadas por eles também estejam de acordo com os protocolos atuais.

Vários equipamentos, como por exemplo, os desfibriladores, precisam estar ajustados às novas recomendações, pois alguns deles guiam o socorrista durante o atendimento. Em se tratando de DEAs, normalmente a atualização ocorre através da instalação de uma nova versão de software.

Tire suas dúvidas em relação às Diretrizes atuais da AHA

Com as Diretrizes 2010 em vigor, é comum que surjam dúvidas a respeito do AED Plus e sua atualização para os novos protocolos.

Quais as principais mudanças nas Diretrizes 2010 em relação ao atendimento da Parada Cardiorrespiratória (PCR)?
Sem dúvida, a principal mudança é a ênfase permanente em RCP de alta qualidade. As diretrizes da AHA 2010 enfatizam mais uma vez a necessidade de uma RCP de alta qualidade e a minimização das interrupções nas compressões torácicas para melhora no sucesso da reanimação.

Abaixo as principais alterações nas diretrizes *:
Alteração de A-B-C para C-A-B: Iniciar com compressões torácicas antes das ventilações.

  • Eliminação do procedimento “Ver, ouvir e sentir se há respiração”: Esse procedimento foi removido da sequência de RCP. Após a aplicação de 30 compressões, o socorrista deverá abrir a via aérea da vítima e aplicar duas ventilações.
  • Frequência de compressão torácica mínima de 100 por minuto: Socorristas leigos e profissionais de saúde devem realizar compressões torácicas a uma frequência mínima de 100 compressões por minuto.
  • Profundidade das compressões torácicas: O esterno adulto deve ser comprimido, no mínimo, 5 centímetros.

Boa compressão

Outras recomendações das Diretrizes:

  • Permitir que o tórax se descomprima por completo após cada compressão.
  • Minimizar as interrupções nas compressões torácicas.
  • Evitar Ventilação excessiva.

Como se adequar aos protocolos atuais?

No caso dos profissionais de emergência, seguranças, brigadistas e outras pessoas que desejam estar preparadas para realizar um atendimento, a melhor saída é fazer um novo treinamento que abranja o atendimento de Parada Cardiorrespiratória.

Em relação aos equipamentos, os fabricantes e distribuidores costumam lançar pacotes de atualizações.

Aproveitamos para mostrar como atualizar o desfibrilador mais comum do mercado: AED Plus da ZOLL.

Preciso atualizar meu AED Plus?
A atualização não é mandatória, porém permite que você tenha uma adesão completa às novas Diretrizes: indicando compressões de boa qualidade, somente acima de 5 cm; removendo as instruções de ver, ouvir e sentir se há respiração; além de orientar uma frequência de no mínimo 100 compressões por minuto.

Como saber qual é a versão do software instalada em meu AED Plus?
Você mesmo pode realizar um teste de forma manual pressionando o botão Liga/Desliga por mais de 7 segundos. Quando o teste estiver completo, a tela do AED Plus exibirá uma série de números. O número que vem após a letra “P” indica a versão atual do software. Se o número “P” for 6.24, então seu AED Plus já foi atualizado para obedecer às Diretrizes de 2010.

Qualquer AED Plus pode ser atualizado? Até mesmo os mais antigos?
Qualquer AED Plus, não importando seu ano de fabricação, pode ser atualizado para a versão 6.24, até mesmo aqueles que não foram atualizados para as Diretrizes de 2005.

Para saber como atualizar o AED Plus da ZOLL, clique aqui.

Referência:
*2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation 2010;122(suppl 3):S640-S656.
RCP

8 de abril de 2013
por Choque Atual
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A importância da RCP

A ressuscitação cardiopulmonar (RCP) durante o atendimento a uma parada cardiorrespiratória tem ganho cada vez mais destaque nas Diretrizes que a American Heart Association (AHA) publica a cada cinco anos.

Em 2005, a RCP de alta qualidade e com o mínimo de interrupções possíveis já tinha uma ênfase muito grande. Depois, em 2010, o destaque ficou ainda maior. Saiba agora o motivo de tanta importância para a RCP e conheça todas as recomendações da AHA relacionadas ao assunto.

Por que a RCP de alta qualidade é tão enfatizada? Ela realmente pode ser mais importante que o choque?

Poucas pessoas têm conhecimento de que em metade dos casos de parada cardíaca o choque não é recomendado; no entanto, em todos esses casos a RCP de alta qualidade é essencial.

Isso ocorre porque o choque nos pacientes em assistolia (ausência de sinais vitais) não terá nenhum efeito. Para que o ritmo do paciente se torne chocável neste caso, a vítima necessita receber antes uma RCP de alta qualidade para que os sinais vitais retornem. E, mesmo em caso de FV (fibrilação ventricular), onde o choque já é indicado no início do procedimento, a RCP deve ser retomada após a aplicação do choque.

Então, conclui-se que o choque é útil em 50% das ocorrências de PCR, enquanto a RCP é útil em 100% dos casos. Daí a relevância dada à ressuscitação cardiopulmonar pela AHA.

A importância da RCP também levanta outra questão importante: os desfibriladores. Ao adquirir um DEA (desfibrilador externo automático), pesquise no mercado por um equipamento que também ofereça suporte à RCP. Afinal, se o choque é indicado apenas em 50% dos casos, o ideal seria possuir um equipamento que auxilie o socorrista também durante as outras etapas do atendimento, principalmente durante a RCP. Existem DEAs que conseguem informar ao socorrista em tempo real sobre a qualidade da RCP. Isso é extremamente importante, pois o enfoque da AHA se refere justamente à RCP de alta qualidade. Nada ou pouco adiantará uma massagem cardíaca pouco eficiente.

O que as Diretrizes da AHA de 2010 dizem sobre a RCP

RCP de Alta Qualidade

  • “Algoritmos de parada cardíaca são simplificados e reprojetados para enfatizar a importância da RCP de alta qualidade (incluindo compressões torácicas de frequência e profundidade adequadas, permitindo retorno total do tórax após cada compressão, minimizando as interrupções das compressões).” Páginas S729, S735 e S746
  • “O fundamento do sucesso do ACLS é a RCP de alta qualidade…” Páginas S735 e S746
  • “Comprima forte (>/= 2 polegadas [5 cm]) e rápido (>/= 100/min) e permita o retorno total do tórax.” Páginas S736, S737 e S746
  • Aparelhos mais sofisticados atualmente monitoram em tempo real a taxa de compressão torácica, profundidade, relaxamento e pausas, e fornecem feedback audiovisual. Quando registrada, esta informação pode também ser útil para fornecer um feedback para toda a equipe após o término da reanimação.” Páginas S740 e S746

Minimizando as pausas na RCP

  • “Durante a RCP os socorristas devem minimizar o número e a duração das interrupções das compressões torácicas, com o objetivo de limitar as interrupções para não mais do que 10 segundos.” Página S733
  • “Pausas periódicas na RCP devem ser tão breve quanto possível e somente quando necessário para avaliar o ritmo, choque FV/TV, faça a checagem do pulso quando um ritmo organizado é detectado, ou quando colocar uma via aérea avançada.” Página S735
  • “Minimize as interrupções nas compressões…” Páginas S736, S737 e S746
  • “Durante o tratamento da FV/TV sem pulso profissionais de saúde devem assegurar que a coordenação entre a RCP e aplicação do choque seja eficiente.” Página S738
  • “Quando durante a verificação de um ritmo usando um desfibrilador manual ou um monitor cardíaco revela um ritmo organizado, uma verificação de pulso é realizada. Se um pulso é detectado, deve-se dar continuidade imediatamente aos cuidados pós-parada cardíaca… Se o ritmo é assistolia ou a pulsação estiver ausente (por exemplo, AESP), a RCP deve ser retomada imediatamente, começando com compressões torácicas, e deve continuar durante 2 minutos antes da repetição da verificação do ritmo.” Página S739
Referência:
2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation 2010.